Surgida no final do século XX, na
Universidade de Montreal, no Canadá – por isso o nome -, a Escola de Montreal é
o nome dado a um grupo de pesquisadores que se voltou (e que ainda se volta)
para os estudos da emergência das organizações pela comunicação. Dessa forma,
seus estudiosos enfocavam os discursos institucionais não como algo realizado dentro de uma organização-receptáculo,
mas a comunicação como a organização
e vice-versa. Ou seja, a premissa básica considerada aqui é o da ‘equivalência’:
“não há comunicação que não organize ou organização que não comunique”. James
Renwick Taylor, Professor Emérito do Departamento de Comunicação da
universidade é um dos grandes nomes da linha de estudos. Além de fundador da
linha de estudos, Taylor é autor de obras acerca da análise do discurso, como “The Emergent Organization”, de 2000.
Proposições
Como já mencionado antes, a proposição básica que norteia os
estudos de Montreal é a ideia de que, à medida que a comunicação se realiza,
ela produz organização e este só se concretiza pela comunicação, por isso “ a preferência pelo termo organizing e não organization. A
opção pelo verbo e não pelo substantivo sugere uma preocupação com o processo
organizacional enquanto ação contínua, tendo em vista que o verbo se encontra
no gerúndio.” (MONTENEGRO, 2008)
Ademais, estes teóricos recusam a ideia da organização como
uma realidade dada e material, cuja existência preexiste sobre as ações dos
sujeitos.
Teoria da
coorientação
De forma geral, uma das teorias
desenvolvidas pela Escola de Montreal é a de que a unidade mínima de
comunicação e organização é a chamada coorientação, termo que designa a relação
de troca que ocorre entre os seres sociais e permite que estes, com a atenção
num dado objeto, possam construir ideias, produzir conhecimento, chegar a
resultados. Assim, a premissa é a de que o surgimento da organização se dá
justamente pela imbricação de inúmeros processos coorientadores.
“A teoria da coorientação reconhece a intersubjetividade das relações entre sujeitos comunicadores (A e B) e também ressalta que a comunicação possui um objeto material/social. (...) As interações humanas possuem sempre um objeto social ou material: quem fala fala de alguém ou de alguma coisa.” (CALLON, 1986)
Trazendo o termo para o atual,
basta pensar em reuniões, conversas nos corredores de uma empresa, contatos
diversos e avisos nas paredes como ambientes nos quais os indivíduos se
orientam e produzem significado em conjunto. Uma cena hipotética em que um
médico (A) conversa com um paciente (B) sobre os sintomas de sua doença (C) é, também, um exemplo palpável de um processo de coorientação.
Texto e conversação
Outro ponto abordado na Escola de
Montreal é a interação entre textos e conversações. Partindo-se da visão de “conversações”
como os discursos informais que acabam por se cristalizar em textos “formais”
(que podem tanto ser manifestações escritas como padrões de comportamento), que
novamente passam por outras interações que criam novas conversações (e assim
por diante), os teóricos afirmam que é nesse processo que as organizações se
desenvolvem.
“Em
síntese, caracteriza-se a comunicação organizacional como um processo social dinâmico,
pelo qual aspectos são acessados por recursos subjetivos; esse processo
contínuo cria e recria a realidade social simultaneamente estável e mutante.” (CASALI,
2009)


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