Consideramos que o artigo “Imaginário e
representação social da Marca Rio – Narrativas sobre o espaço convertido em
mercadoria”, da autora Flávia Barroso de Melo, é um bom exemplo do uso de
estratégias do discurso organizacional, pois explica as narrativas construídas
por uma instituição em prol de justificar determinada decisão. Portanto,
faremos uma breve exposição do estudo de Barroso.
O projeto Porto Maravilha, cujo objetivo era
revitalizar a região portuária do Rio de Janeiro, visou melhorias em diversos
aspectos. As obras buscaram aumentar o uso residencial da área, melhorar a
infraestrutura, estimular o comércio e a indústria e promover a cultura e o
entretenimento. Barroso destaca que a iniciativa teve
“um interesse especial
pelas diretrizes relacionadas à cultura e entretenimento, evidenciado tanto
pelos discursos de sujeitos envolvidos no processo, como pela materialização
desses discursos, através, por exemplo, da construção de dois monumentais
equipamentos culturais que abrigam o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu do
Amanhã, ambos localizados na Praça Mauá.” (BARROSO, p. 2)
A realização de grandes eventos como a Copa do Mundo
de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foi o grande motivo pelo qual a promoção do
projeto de revitalização do porto da cidade ganhou relevância. Ao reconstituir
os cenários conforme a visão do imaginário turístico do Rio de Janeiro,
interesses políticos e econômicos daqueles envolvidos nesses megaeventos foram
atingidos, uma vez que a marca Rio foi mais facilmente comprada pelo público.
Dado o contexto dos megaeventos, a cidade passou a
ser gerida como uma empresa. As propostas de mudanças foram estratégias para
atribuir novo significado à realidade local, inserindo-a nos padrões do
comércio exterior. O espaço foi transformado em mercadoria.
A prefeitura do Rio utilizou os sites portomaravilha.com.br
e cidadeolimpica.com.br como principal forma de comunicação institucional. A
plataforma online viabilizou a comunicação com o público e a imprensa, ajudando
a legitimar o discurso construído para defender as mudanças impostas. O porto
do Rio de Janeiro foi “reinventado simbolicamente a partir dos argumentos de
modernização, de conjunção entre passado e futuro e do consumo cultural”
(BARROSO, p.11).
A defesa da modernização do porto do Rio de Janeiro
por meio de estratégias como melhoria na infraestrutura, segurança,
embelezamento e bem-estar social pode ser percebida no vídeo institucional que
demonstra qual seria o resultado do projeto em determinadas localidades.
Outro exemplo que ilustra bem o discurso construído
nos sites do projeto é a divulgação dos aspectos culturais. A narrativa
construída defende que o projeto traria uma maior valorização do patrimônio
artístico, histórico, arquitetônico, arqueológico e cultural do porto da
cidade, como pode ser lido no folder veiculado no site “Porto Maravilha”:
A partir desses exemplos, é possível concluir que as
plataformas online utilizadas para o projeto “Porto Maravilha” demonstram uma
tentativa por parte da prefeitura do Rio de Janeiro de legitimar as reformas
propostas como um meio de valorizar a região. Além disso, é notável que há uma
busca por expandir a imagem do porto do Rio de Janeiro em uma perspectiva
internacional, tornando-o um símbolo da modernidade, sem deixar de reforçar o
aspecto cultural que sempre foi marca da cidade, aproveitando-se dele para
justificar as grandes obras.
Referência: MELLO. Flávia Barroso de. Imaginário e representação social da marca
Rio: Narrativas sobre o espaço convertido em mercadoria. 12º Interprogramas de
Mestrado em Comunicação da Faculdade Cásper Libero.

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