sábado, 10 de junho de 2017

O discurso organizacional: Porto Maravilha

Consideramos que o artigo “Imaginário e representação social da Marca Rio – Narrativas sobre o espaço convertido em mercadoria”, da autora Flávia Barroso de Melo, é um bom exemplo do uso de estratégias do discurso organizacional, pois explica as narrativas construídas por uma instituição em prol de justificar determinada decisão. Portanto, faremos uma breve exposição do estudo de Barroso.

O projeto Porto Maravilha, cujo objetivo era revitalizar a região portuária do Rio de Janeiro, visou melhorias em diversos aspectos. As obras buscaram aumentar o uso residencial da área, melhorar a infraestrutura, estimular o comércio e a indústria e promover a cultura e o entretenimento. Barroso destaca que a iniciativa teve

“um interesse especial pelas diretrizes relacionadas à cultura e entretenimento, evidenciado tanto pelos discursos de sujeitos envolvidos no processo, como pela materialização desses discursos, através, por exemplo, da construção de dois monumentais equipamentos culturais que abrigam o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu do Amanhã, ambos localizados na Praça Mauá.” (BARROSO, p. 2)

A realização de grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foi o grande motivo pelo qual a promoção do projeto de revitalização do porto da cidade ganhou relevância. Ao reconstituir os cenários conforme a visão do imaginário turístico do Rio de Janeiro, interesses políticos e econômicos daqueles envolvidos nesses megaeventos foram atingidos, uma vez que a marca Rio foi mais facilmente comprada pelo público.

Dado o contexto dos megaeventos, a cidade passou a ser gerida como uma empresa. As propostas de mudanças foram estratégias para atribuir novo significado à realidade local, inserindo-a nos padrões do comércio exterior. O espaço foi transformado em mercadoria.

A prefeitura do Rio utilizou os sites portomaravilha.com.br e cidadeolimpica.com.br como principal forma de comunicação institucional. A plataforma online viabilizou a comunicação com o público e a imprensa, ajudando a legitimar o discurso construído para defender as mudanças impostas. O porto do Rio de Janeiro foi “reinventado simbolicamente a partir dos argumentos de modernização, de conjunção entre passado e futuro e do consumo cultural” (BARROSO, p.11).


A defesa da modernização do porto do Rio de Janeiro por meio de estratégias como melhoria na infraestrutura, segurança, embelezamento e bem-estar social pode ser percebida no vídeo institucional que demonstra qual seria o resultado do projeto em determinadas localidades.


Outro exemplo que ilustra bem o discurso construído nos sites do projeto é a divulgação dos aspectos culturais. A narrativa construída defende que o projeto traria uma maior valorização do patrimônio artístico, histórico, arquitetônico, arqueológico e cultural do porto da cidade, como pode ser lido no folder veiculado no site “Porto Maravilha”:




















A partir desses exemplos, é possível concluir que as plataformas online utilizadas para o projeto “Porto Maravilha” demonstram uma tentativa por parte da prefeitura do Rio de Janeiro de legitimar as reformas propostas como um meio de valorizar a região. Além disso, é notável que há uma busca por expandir a imagem do porto do Rio de Janeiro em uma perspectiva internacional, tornando-o um símbolo da modernidade, sem deixar de reforçar o aspecto cultural que sempre foi marca da cidade, aproveitando-se dele para justificar as grandes obras.

Referência: MELLO. Flávia Barroso de.  Imaginário e representação social da marca Rio: Narrativas sobre o espaço convertido em mercadoria. 12º Interprogramas de Mestrado em Comunicação da Faculdade Cásper Libero.


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