Embora os estudos do Grupo de Pesquisa ECO-UFRN considerem carnavalização das organizações apenas os discursos que vêm dos públicos, ainda
assim um fenômeno tem sido observado. As organizações subverteram a direção no jogo da carnavalização, passaram
a fazer uso de formas carnavalizadas (como os memes), ao invés de terem seus
discursos adulterados de sentido. Essa
utilização traz a ressignificação do meme mais uma vez, esses discursos ao
serem carnavalizados são usados com o intuito de autopromoção. Essa utilização
envolve diversas circunstâncias e é encontrada explicação na propagabilidade, segundo Jenkis (2014)
A “propagabilidade” se refere aos recursos técnicos que tornam
mais fácil a circulação de algum tipo de conteúdo em comparação com outros, às
estruturas econômicas que sustentam ou restringem a circulação, aos atributos
de um texto de mídia que podem despertar a motivação de uma comunidade para
compartilhar material e às redes sociais digitais que ligam as pessoas por meio
da troca de bytes significativos (JENKINS, 2014, p. 26).
Pode-se observar que a apropriação dos
memes pelas organizações está ligada às suas dinâmicas de circulação. Um meme quando criado, rapidamente se espalha por toda a internet e produz diversos
significados que podem divergir do seu sentido original. Entretanto, quando
ganha tamanha visibilidade, sua imagem mesmo descolada do discurso ainda
desperta o imaginário mêmico (Dawkins, 1976), e segue sendo replicada cada vez
mais e em diversas circunstâncias. O que tem sido visto na publicidade de
algumas organizações:
Burger King (clique aqui para assistir)
A rede de fast-food usou em sua
campanha de promoção do lanche Picanha Churras em maio desse ano, o meme da
Gretchen dançando. No gif animado, eles relatam os ingredientes utilizados na
composição do lanche e colocam o “Vinagretchen” como o ingrediente mais
importante. O uso do meme na campanha rendeu mais de 2 milhões de visualizações
do gif, 40 mil reações e milhares de compartilhamentos nas redes, segundo o
site Ig.
Netflix (clique aqui para assistir)
Na divulgação da quarta temporada de
sua série Orange is The New Black em junho de 2016, a Netflix contou com a
participação de Inês Brasil, uma cantora mêmica que ficou famosa após seu vídeo
de inscrição no programa Big Brother Brasil em 2013 ter viralizado nas redes.
No vídeo de promoção, a cantora está na penitenciária de Litchfield,
conversando em português com uma das detentas que fala em inglês e solta seus
famosos bordões. Em meia hora, o vídeo já tinha 1 milhão de visualizações,
segundo o site B9.
As organizações se tornam o espaço
público para os discursos carnavalizados, como era visto no carnaval da Idade
Média. Através de sua publicidade que é vista tanto em redes sociais como em
outros meios (a televisão, por exemplo) elas fazem uso de certa forma de um
discurso anônimo, pois os memes utilizados nem sempre são de amplo
conhecimento, já que emergem nas redes socais digitais e nem todos têm acesso.
Apesar de não serem feitos pelo público, essa
“carnavalização” feita pelas organizações usam de discursos já consagrados fora
de seu âmbito, os memes, e ainda permanecem com a ideia de carnavalização como
gênero discursivo, já que a utilização dessas expressões continuam com o
intuito cômico e com linguagem oposta a séria utilizada normalmente no contexto
organizacional.


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