terça-feira, 20 de junho de 2017

A "carnavalização" feita pelas organizações

Embora os estudos do Grupo de Pesquisa ECO-UFRN considerem carnavalização das organizações apenas os discursos que vêm dos públicos, ainda assim um fenômeno tem sido observado. As organizações subverteram a direção no jogo da carnavalização, passaram a fazer uso de formas carnavalizadas (como os memes), ao invés de terem seus discursos adulterados de sentido.  Essa utilização traz a ressignificação do meme mais uma vez, esses discursos ao serem carnavalizados são usados com o intuito de autopromoção. Essa utilização envolve diversas circunstâncias e é encontrada explicação na propagabilidade, segundo Jenkis (2014)

A “propagabilidade” se refere aos recursos técnicos que tornam mais fácil a circulação de algum tipo de conteúdo em comparação com outros, às estruturas econômicas que sustentam ou restringem a circulação, aos atributos de um texto de mídia que podem despertar a motivação de uma comunidade para compartilhar material e às redes sociais digitais que ligam as pessoas por meio da troca de bytes significativos (JENKINS, 2014, p. 26).

Pode-se observar que a apropriação dos memes pelas organizações está ligada às suas dinâmicas de circulação. Um meme quando criado, rapidamente se espalha por toda a internet e produz diversos significados que podem divergir do seu sentido original. Entretanto, quando ganha tamanha visibilidade, sua imagem mesmo descolada do discurso ainda desperta o imaginário mêmico (Dawkins, 1976), e segue sendo replicada cada vez mais e em diversas circunstâncias. O que tem sido visto na publicidade de algumas organizações:


A rede de fast-food usou em sua campanha de promoção do lanche Picanha Churras em maio desse ano, o meme da Gretchen dançando. No gif animado, eles relatam os ingredientes utilizados na composição do lanche e colocam o “Vinagretchen” como o ingrediente mais importante. O uso do meme na campanha rendeu mais de 2 milhões de visualizações do gif, 40 mil reações e milhares de compartilhamentos nas redes, segundo o site Ig.


Na divulgação da quarta temporada de sua série Orange is The New Black em junho de 2016, a Netflix contou com a participação de Inês Brasil, uma cantora mêmica que ficou famosa após seu vídeo de inscrição no programa Big Brother Brasil em 2013 ter viralizado nas redes. No vídeo de promoção, a cantora está na penitenciária de Litchfield, conversando em português com uma das detentas que fala em inglês e solta seus famosos bordões. Em meia hora, o vídeo já tinha 1 milhão de visualizações, segundo o site B9.

As organizações se tornam o espaço público para os discursos carnavalizados, como era visto no carnaval da Idade Média. Através de sua publicidade que é vista tanto em redes sociais como em outros meios (a televisão, por exemplo) elas fazem uso de certa forma de um discurso anônimo, pois os memes utilizados nem sempre são de amplo conhecimento, já que emergem nas redes socais digitais e nem todos têm acesso.

 Apesar de não serem feitos pelo público, essa “carnavalização” feita pelas organizações usam de discursos já consagrados fora de seu âmbito, os memes, e ainda permanecem com a ideia de carnavalização como gênero discursivo, já que a utilização dessas expressões continuam com o intuito cômico e com linguagem oposta a séria utilizada normalmente no contexto organizacional. 

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