Desconsiderado por muitos anos, o silêncio denota-se um espaço importante
de pesquisa, já que pode ocasionar inúmeras consequências aos empregados, à
sociedade e às organizações. Nas quais, o silêncio é entendido como a abstenção
dos funcionários em se expressarem sobre os problemas econômicos, sociais,
morais ou legais observados no ambiente de trabalho.
No artigo “Silêncio nas organizações: uma
revisão e discussão da literatura”, Moura-Paula (2014) apresenta como o
silêncio tem sido estudado. O autor realizou um levantamento bibliográfico com
base na divisão em três ondas de pesquisa dos estudos de voz e do silêncio nas
organizações proposta por Brinsfield, Edwards e Greenberg.
Primeira Onda (1970 - 1980)
Em um ensaio publicado em 1970, Albert
Hirschman, constatou que os consumidores, quando insatisfeitos com as organizações,
manifestam esse sentimento de duas maneiras: terminando seu ‘relacionamento’
com a empresa ou reclamando e provocando o aperfeiçoamento do que julga
incorreto. Hirschman acrescenta que esses dois fenômenos dependem de uma terceira
variável, a lealdade. Uma vez que os membros da organização podem trocar a
segurança da saída pela incerteza sobre a melhoria de um produto degenerado.
Efeito mudo
Na mesma época, Rosen e Tesser apresentam
o MUM effect, traduzido como efeito
mudo, quer dizer, “silencioso sobre mensagens indesejáveis”. Esse conceito
importante para o estudo do silêncio nas organizações refere-se à resistência
em manifestar algo que se avalie comonocivo para determinada audiência.
Milliken, Morrison e Hewlin apontam
que o efeito mudo pode inibir que os funcionários pronunciem sobre más
situações, pois ninguém quer ser aquele que expõe o lado negativo. Bisel,
Messersmith e Kelley acrescentam que, nas relações hierárquicas, o risco dos
empregados que discordam de seus dirigentes provoca um efeito mudo hierárquico
a fim de que se evite esse desgaste.
Espiral do silêncio
Proposta em 1977 pela cientista alemã Noelle-Neumann, a espiral do silêncio começou a ser desenvolvida em 1974 no campo da ciência política, mas passou a ser mais aplicada no âmbito da comunicação de massa conforme Neumann se concentrou a analisar a influência que a opinião pública exerce sobre a dos indivíduos. A pesquisadora observou que os sujeitos tendem a não emitirem sua opinião quando a mesma é distinta da maioria, devido ao medo de isolamento. Esse comportamento provoca uma tendência sucessiva ao silêncio.
Proposta em 1977 pela cientista alemã Noelle-Neumann, a espiral do silêncio começou a ser desenvolvida em 1974 no campo da ciência política, mas passou a ser mais aplicada no âmbito da comunicação de massa conforme Neumann se concentrou a analisar a influência que a opinião pública exerce sobre a dos indivíduos. A pesquisadora observou que os sujeitos tendem a não emitirem sua opinião quando a mesma é distinta da maioria, devido ao medo de isolamento. Esse comportamento provoca uma tendência sucessiva ao silêncio.
Segunda Onda (1980 - 2000)
No período entre 1980 a 2000, os
pesquisadores estrangeiros atentaram-se a voz e ao silêncio, analisando os
comportamentos que motivavam os funcionários a ‘vozear’.
Denúncia de irregularidades
organizacionais (whistleblowing)
Os pesquisadores buscaram
compreender como, quando e por que
os funcionários decidem reportar a conduta antiética nas organizações. A
pesquisa decorreu em razão de uma série de escândalos corporativos e
governamentais nos Estados Unidos no início dos anos 80, o que suscitou na
criação de uma lei em 1989 (WhistleblowerProtectionAct) para proteger os
empregados que delatam desvios éticos nas corporações.
“Near e Miceli conceituam whistleblowing como a revelação por
parte dos atuais ou antigos membros da organização de práticas ilegais, imorais
ou ilegítimas por parte dos proprietários para pessoas ou entidades que possam
tomar atitudes corretivas” (MOURA-PAULA, 2014).
Discordância organizacional baseada
em princípios
Acompanhando as pesquisas
introdutórias sobre whistleblowing, “Graham, de acordo com Brinsfield, Edwards
e Greenberg, propõe o conceito de discordância organizacional baseada em princípios
(principledorganizationaldissent), isto é, o esforço feito pelas pessoas no
ambiente de trabalho para protestar e/ou mudar o status quo da organização
devido à sua objeção à política ou práticas atuais” (MOURA- PAULA, 2014).
Terceira Onda (2000 em diante)
A partir dos anos 2000,
diferentemente dos estudos anteriores, “o silêncio passa a ser compreendido
como contendo significados e não penas como a ausência de voz, embora muito
pouco tenha sido atingido em termos do desenvolvimento do constructo, operacionalização
ou pesquisas empíricas relativas a fatores independentes, dependentes e
moderadores” (BRINSFIELD, EDWARDS & GREENBERG, 2009, apud MOURA-PAULA, 2014).
Silêncio organizacional
Morrison e Milliken apresentam o conceito de silêncio organizacional, definido como a contenção de opiniões e inquietações dos funcionários sobre problemas organizacionais. Para as autoras, essa atitude não é um fato individual, mas um fenômeno coletivo, em que as relações hierárquicas e as crenças hegemônicas presentes no ambiente das organizações propiciam esse silêncio.
Morrison e Milliken apresentam o conceito de silêncio organizacional, definido como a contenção de opiniões e inquietações dos funcionários sobre problemas organizacionais. Para as autoras, essa atitude não é um fato individual, mas um fenômeno coletivo, em que as relações hierárquicas e as crenças hegemônicas presentes no ambiente das organizações propiciam esse silêncio.
Aprendizagem organizacional e
transferência do conhecimento
Blackman e Sadler-Smith propõem uma
classificação do silêncio no espaço organizacional, dividindo-o em silencioso e
silenciado. “O silencioso compreende:
o que não pode ser falado (conhecimento tácito e saber intuitivo), que
apresenta maior grau de subjetividade; e o que pode ser falado (saber
“perspicaz” – insightful e saber pré-consciente), que apresenta menor grau de
subjetividade. O silenciado
compreende o que não será falado: a voz inconscientemente represada, a voz
conscientemente retida e a voz conscientemente suprimida”
(BLACKMAN&SADLER-SMITH, 2009, apud
MOURA-PAULA, 2014).
Referência
MOURA-PAULA, Marcos Júnior de. Silêncio
nas organizações: uma revisão e discussão da literatura. Revista de Administração Mackenzie, São Paulo, n. 15, set./out.
2014. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/ram/v15n5/02.pdf>. Acesso em: 16
de jun. 2017.



Bom dia. Parabéns pelo artigo. Interessante. As informações e as pesquisas ordenadas enriqueceram o trabalho e me ajudaram também. Sucesso sempre.
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